quinta-feira, 22 de março de 2018



Título- Almas Cativas e poemas dispersos
Autor- Roberto Mesquita

Literatura Portuguesa/Poesia


Sinopse:
O título, Almas Cativas, pedira-o emprestado a Antero de Quental, num sinal claro de afinidade electiva. Em 1931 cumpria-se tardiamente o desígnio desse labor quase secreto e o livro vinha, por fim, a público. Um dos exemplares chega às mãos de Vitorino Nemésio, que encontra no «opúsculo de capa cor-de-rosa, em papel amarelento e tipo gasto, sem sedução nenhuma», que compara a «um Relatório de Contas», uma escrita que se lhe afigura «a melhor imagem da dispersão e sonolência da vida nos Açores», com o seu «perfil difuso e abúlico da açorianidade». Nemésio já lera muito e estava, portanto, apto a ver em Mesquita o primeiro poeta a exprimir «alguma coisa de essencial na condição humana tal como ela se apresenta nas ilhas dos Açores», reconhecendo-lhe ainda «um lugar importante no simbolismo português, ao lado dos seus príncipes, que não devem ficar envergonhados por não ser companhia retumbante (António Nobre, Camilo Pessanha, Eugénio de Castro)»
Curiosidade:
Roberto de Mesquita nasceu a 19 de Junho de 1871, na ilha das Flores, lugar onde viveu quase ininterruptamente. Os Açores foram a sua pátria: fez estudos na Terceira e no Faial e trabalhou alguns anos no Pico e no Corvo, na condição de funcionário da Fazenda Pública. 
Do arquipélago apenas saiu uma vez, em 1904, tendo-se deslocado a algumas cidades de Portugal continental. Casou, mas não teve filhos. Levou uma vida de isolamento, temperada pela leitura, pela música (foi primeiro-clarinete na Filarmônica União Musical Florentina), pelos afazeres do emprego. Morreu no dia 31 de Dezembro de 1923, a recitar versos de simbolistas franceses e de poetas lusos. 
     Em vida, não publicou senão meia dúzia de poemas em jornais e revistas. O livro, Almas Cativas, seria editado oito anos depois da sua morte, em 1931. Uma edição modesta, de tiragem reduzida que parecia votada ao silêncio, não fora Vitorino Nemésio ter encontrado aí «uma tristeza emotiva, quase climatérica, que aflora uma alma entorpecida pela humidade dos Açores». A segunda edição, revista e aumentada, sairia várias décadas depois, em 1973. 








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